Irônico é o efeito da informatização em massa das escolas em nosso país, sem a devida discussão do projeto pedagógico que deveria acompanhar toda a tecnologia subjacente.
A IBM, por meio de sua coordenadora do projeto Novos Horizontes (financiamento de software e hardware nas escolas), em 1995, dizia que “não era mais hora de discutir qual seria o projeto pedagógico a acompanhar a entrada de laboratórios de informática nas escolas”. Segundo ela, “o momento seria de introduzir novas tecnologias, o restante se pensaria depois”.
A França, em 1980, massificou a tecnologia da informação nas escolas para depois descobrir que foi um completo fracasso. Guardados os devidos avanços tecnológicos, é o que vem acontecendo na maioria das escolas que implementaram a informática em seus currículos, mas esqueceram-se de discutir o principal objeto: o ensino “de” informática ou “por meio” da informática.
Basta observar o projeto de marketing escolar e verificar que o mais importante é mostrar alunos sendo fotografados em modernos laboratórios de informática. Em apenas meia hora de conversa, a única coisa que sabem explicar são as configurações dos computadores que equipam a sala de informática. Difícil mesmo é saber qual a metodologia usada pela escola para enfrentar o seu principal desafio: a tarefa de educar.
Na Internet, os chamados “mercenários da Web” estão a cooptar nossos filhos “feras” em computação para participarem de “testes de fragilidade nos sistemas”, na verdade invasões cuidadosamente planejadas com fins ligados à espionagem industrial. Nossas filhas também são alvo das pseudo-agências virtuais de modelos que precisam de uma primeira foto para “análise” e uma mais ousada para completar o ciclo. O passo seguinte pode ser o envolvimento involuntário nas redes de pornografia e de pedofilia.
Essas são as crianças e adolescentes que as escolas sintonizadas com o que há de melhor da tecnologia da informação vêm formando? Meninos e meninas “feras” em computação, mas incapazes de se confrontarem com situações desse tipo.
Quando indagadas sobre o projeto pedagógico que acompanha o laboratório de informática, as
É dessa escola que surgiu um grupo de adolescentes entre 13 e 17 anos dispostos a contribuir com seus conhecimentos no combate a certo tipo de crime na Internet: a pedofilia. Num verdadeiro trabalho de Inteligência, os garotos identificam e destroem páginas com conteúdo pedófilo na rede (ajudaram a Scotland Yard na última operação contra a pedofilia chamada Katedral). O primeiro grupo conhecido por searchers (pesquisadores) localiza as páginas e os provedores; o segundo grupo (watchers) estuda e mapeia as falhas do sistema que então as repassa aos chamados intruders (invasores), que se encarregam de destruir a página e, caso o provedor insista em permanecer hospedando o conteúdo, tiram até o provedor do ar, causando um prejuízo ainda maior. Muitos sentiram que por maior que seja o lucro com a indústria da pedofilia não compensa o prejuízo causado pelos jovens social hackers (hackers sociais) que, ao completarem 18 anos, já têm emprego garantido no grande mercado de segurança da informação. Portanto, amigo leitor que é também pai, mãe, educador(a) ou professor(a) e que compartilha desta minha angústia, se a única coisa que a escola de seu filho sabe fazer de melhor é o marketing do laboratório de informática, você não acha que está na hora de repensar sua estratégia de escolha para o próximo ano?
Luiz Henrique Corrêa Quemel
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